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28/05/2018

Renda do agronegócio registra leve baixa em fevereiro

Por Núcleo Econômico da Superintendência Técnica da CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apresentou pequeno recuo de 0,09% em fevereiro, acumulando baixa de 0,22% no 1º bimestre de 2018.

Conforme observa-se na Tabela 1, esse desempenho ligeiramente negativo do agronegócio no início de 2018 deriva de dinâmicas relativamente distintas entre os segmentos que compõem o agronegócio. Enquanto o segmento primário apresentou retração nos dois primeiros meses do ano - -2,11% em janeiro, -1,6% em fevereiro perfazendo -3,68% no 1º bimestre/2018 – os demais segmentos apresentaram expansão, ainda que modesta. O melhor desempenho foi da agroindústria cuja expansão estimada é de 0,86% em janeiro e 0,73% em fevereiro, fechando o bimestre com crescimento de 1,59%. O segmento de agrosserviços também cresceu em fevereiro (0,16%) e no bimestre (0,31%). Já o segmento de insumos, embora tenha apresentado desempenho acumulado no bimestre superior ao dos agrosserviços (0,42% frente a 0,31%), teve pequena retração de 0,07% em fevereiro.

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação mensal e acumulada no período (%)

A análise por ramo de atividade revela que enquanto o desempenho do ramo agrícola foi praticamente estável, o ramo pecuário observou ligeira retração de 0,24% em fevereiro e de 0,72% no acumulado do bimestre. Conforme pode ser observado nas tabelas 2 e 3, enquanto no ramo agrícola o desempenho adverso esteve limitado à atividade “dentro da porteira”, no ramo pecuário revelou-se disseminado nos diferentes segmentos que o compõem, com pior resultado nos insumos cuja queda foi de 0,58% em janeiro/2018 e de 1,24% no acumulado do ano.

Esse desempenho particularmente adverso do segmento primário (“dentro da porteira”) do ramo agrícola, deriva do elevado volume de produção da safra anterior que, desde o fim de 2017, tem imposto tendência baixista nos preços dos produtos agrícola e afetado a renda do segmento também nos primeiros meses de 2018. Na média ponderada dos produtos acompanhados, as estimativas são de aumento de 1% na produção e queda de 7,99% nos preços, ambos frente a 2017.

Tabela 2. Ramo Agrícola: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)


 

No ramo pecuário, a ainda lenta retomada da economia brasileira vem resultando em baixa demanda, pressionando para baixo os preços ao longo das cadeias dos diferentes produtos. Já nos lácteos, embora os preços tenham permanecido baixos no 1º bimestre de 2018, houve alguma recuperação ao longo de fevereiro, dado o melhor ajuste entre oferta e demanda do produto.

Tabela 3. Ramo Pecuário: Taxas de variação mensal e acumulada no período (%)

SEGMENTO DE INSUMOS: Fertilizantes e corretivos do solo seguem com preços em alta

O segmento de insumos do agronegócio recuou 0,07% em fevereiro, mas acumula alta de 0,42% no ano.

Dentre as indústrias do segmento de insumos acompanhadas, projeta-se queda no faturamento apenas para rações (-10,63%), conforme apresentado na Figura 1, que traz a variação anual estimada do volume, preços reais e faturamento das indústrias de insumos.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até fev/2018

A indústria de máquinas agrícolas segue em alta na avaliação de fevereiro, motivada pela elevação de 2,73% nos preços do primeiro bimestre de 2018 com relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,70% na quantidade produzida. Segundo informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), apesar do arrefecimento nas vendas internas registrada pelo setor no início do ano, influenciadas por mudanças no sistema de financiamento do BNDES, os agentes relacionados à atividade seguem otimistas com relação a 2018, com a expectativa de boa safra e sequência da recuperação do mercado de máquinas, iniciada em 2017.

Na indústria de fertilizantes, a elevação prevista no faturamento é motivada pela alta de 9,34% nos preços reais. Segundo análises da Scot Consultoria, destacou-se neste início de ano um movimento de alta dos adubos fosfatados, em função da oferta mais ajustada no mercado interno e preços mais firmes no mercado internacional. Segundo informações da INTL FCStone, também se destaca que as cotações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados apresentaram tendência altista neste início de ano pela elevada demanda internacional, notadamente da China, Estados Unidos e Índia.

Já para os defensivos, houve incremento na quantidade, mas leve recuo de preços no primeiro bimestre de 2018 com relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, expectativas de agentes de mercado indicam tendência de elevação das cotações na atividade nos próximos meses de 2018 – segundo levantamento do Rabobank, a redução na oferta de matérias-primas e produtos importados da China deve influenciar na configuração deste contexto.

              SEGMENTO PRIMÁRIO: Primeiro bimestre de 2018 seguiu em baixo patamar de preços

A renda do segmento primário do agronegócio apresentou resultado negativo de 1,6% em fevereiro de 2018, acumulando baixa de 3,68% no bimestre. Em fevereiro, tanto no ramo agrícola como no pecuário, os segmentos primários registraram recuos, de 2,50% e de 0,09%, respectivamente. No acumulado de janeiro e fevereiro, verificam-se quedas respectivas de 5,25% e de 0,95% (Tabelas 2 e 3). Estes resultados estão associados ao comportamento de preços no 1º bimestre de 2018 e à previsão de volumes de produção para o ano das culturas agrícolas e atividades pecuárias em 2018, conforme as Figuras 2 e 3 e a Tabela 4 (que serão apresentadas a seguir).

 A produção do segmento primário agrícola, após forte crescimento em 2017, deve apresentar em 2018 alta de apenas 1% na média das atividades acompanhadas. Já relativamente aos preços, os vigentes no 1º bimestre de 2018 foram 7,99% menores. Avalia-se que tal resultado corresponde a um movimento inercial, com origem no baixo patamar de preços médios nos quais os produtos agrícolas encerraram 2017. No segmento primário da pecuária, as estimativas para o 1º bimestre/2018 frente ao mesmo período de 2017 são de preços 7,51% menores e produção 2,36% maior.

Dentre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas pelo Cepea, as estimativas são de crescimento do faturamento para: algodão, batata, cacau, café, fumo, mandioca, tomate, trigo, madeira em tora, madeira para papel e celulose e lenha/carvão. Já as culturas para as quais as estimativas são de queda no faturamento são: arroz, banana, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho, soja, e uva – Figura 2 e Tabela 4.

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até fev/2018

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até fev/2018

Dentre as culturas com perspectivas de crescimento de faturamento em 2018 destaca-se o tomate, cujo aumento de preço foi de 129% no 1º bimestre/2018 comparativamente ao mesmo período do ano anterior. De acordo com a Equipe Hortifruti/Cepea, no início de 2018, houve significativa redução da oferta, devido à finalização da segunda parte da safra de inverno 2017, ao menor ritmo de colheita, à maturação dos frutos e ao elevado percentual de descarte, neste último caso, em decorrência do clima desfavorável. Além disso, a equipe destaca a menor área de cultivo na safra de verão.

Para o algodão, a expectativa de alta no faturamento deriva principalmente das boas perspectivas de produção em 2018 (expansão esperada de 21,62% frente a 2017), e da alta de 1,41% observada nos preços no 1º bimestre de 2018 frente ao mesmo período de 2017 (1,41%). Segundo dados da Conab, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento da cultura, o que, aliado à maior área de cultivo, respaldam essa expectativa de forte crescimento da produção neste ano. Já com relação a preços, a equipe Algodão/Cepea destaca que as indústrias e os comerciantes de pluma estiveram ativos em fevereiro, com o objetivo de repor estoques, mas a maioria dos negócios realizados no mês envolveu pequenos volumes, resultando em pequena variação positiva de preço no período.

No caso do café, a expectativa de alta de 8,91% no faturamento advém da projeção do crescimento de 25,59% na produção, apesar da queda de 13,28% nos preços do primeiro bimestre de 2018, frente ao 1º bimestre de 2017. Segundo a Conab, neste ano, a safra é de bienalidade positiva nas principais regiões produtoras, devendo ocorrer elevações significativas na produção tanto do arábica quanto do robusta. A equipe Café/Cepea destaca também que o clima seguiu favorável na maior parte das regiões em fevereiro, auxiliando no desenvolvimento dos cafezais e na maturação dos grãos. Com relação a preços, a equipe Café/Cepea destacou que as cotações seguiram em queda em fevereiro, pressionadas pela expectativa de maior safra e pela taxa de câmbio.

Dentre as culturas para as quais projeta-se redução do faturamento, a soja deve apresentar pequena alta na produção anual (0,78%), mas com preços 2,32% menores no comparativo dos primeiros bimestres de 2017 e 2018. Apesar disso, ao longo de fevereiro/2018, os preços apresentaram alta, devido à maior demanda externa e às irregularidades climáticas na Argentina.

No caso do milho, verificam-se baixas tanto em preços (-13,63%) quanto na projeção anual da produção (-9,43%). Segundo a Conab, a maior safra no ano passado pressionou as cotações e desestimulou produtores na temporada atual, cenário que resultou em menor área de cultivo. Com relação a preços, a equipe Grãos/Cepea destaca que, apesar da baixa acumulada no primeiro bimestre com relação ao mesmo período de 2017, em fevereiro, houve alta, devido à expectativa de menor produção, à retração mensal nas vendas e à elevação das exportações comparativamente a janeiro.

Para a cana-de-açúcar, a expectativa de redução no faturamento vem principalmente da queda de 15,22% nas cotações, aliada à baixa de 1,15% na produção projetada para o ano. Segundo informações da Conab, a intensidade na redução de área a ser colhida, observada nos principais estados produtores, será responsável pela menor produção na safra 2018/19. Com relação a preços, a tendência de queda segue as atividades à jusante da cadeia.

Para o segmento primário da pecuária, dentre as atividades acompanhadas, há expectativa de alta no faturamento apenas em frangos para corte. Para as demais as projeções são de queda no faturamento, conforme observa-se na Figura 3.

Figura 3. Pecuária: Variação anual estimada do volume, dos preços e do faturamento 2018/2017 com informações até fev/2018

Na atividade leiteira, os preços recuaram 15,52% na comparação entre primeiros bimestres de 2017 e 2018, enquanto a quantidade apresentou alta de 3,40%. Segundo a equipe Leite/Cepea, apesar da baixa em preços avaliada no bimestre, a oferta de leite tem se regularizado com a demanda neste início de ano. Para a equipe, ainda que tipicamente o verão seja um período de maior captação de leite por conta das chuvas, as baixas cotações praticadas resultaram em desaceleração da produção com relação aos últimos meses. Com isso, foi verificada tendência de elevação nas cotações já em fevereiro, que deve ser verificada nos próximos relatórios.

Para a bovinocultura de corte, houve pequena queda de 0,41% nas cotações e baixa de 1,62% em quantidade. De acordo com pesquisadores da equipe Boi/Cepea, o mercado pecuário esteve bastante cauteloso nos dois primeiros meses de 2018, com novos lotes de animais para abate adquiridos apenas quando houve necessidade por parte dos frigoríficos. Com o mercado ainda em ritmo lento, a média de preços do boi gordo no primeiro bimestre deste ano variou pouco.

Na suinocultura, registra-se baixa de 17,01% dos preços na comparação entre janeiro e fevereiro de 2018 e o mesmo período de 2017. Já para a produção, avalia-se alta de 8,30%. Segundo a equipe Suínos/Cepea, a demanda interna esteve retraída em fevereiro, resultando na pressão de compradores para redução de preços do animal. Além disso, verificou-se reduções nas exportações para importantes mercados, como a Rússia. Esse cenário impactou em elevação da oferta no mercado interno, pressionando os preços tanto da carne como do animal vivo.

Com relação à avicultura de corte, os preços apresentaram queda de 4,45% na comparação entre períodos, compensada pela elevação de 5,49% na produção. Segundo a equipe Frango/Cepea, a baixa procura pela proteína diminuiu o ritmo de compras do animal vivo por parte de frigoríficos, mantendo os valores em queda. A avicultura de postura também apresentou baixa na comparação com o mesmo bimestre de 2017, de 12,46%.

SEGMENTO INDUSTRIAL: PIB agroindustrial mostra recuperação nos primeiros meses de 2018

O segmento industrial voltou a apresentar alta em fevereiro (0,73%). Dessa forma, no acumulado do ano, o resultado é de crescimento de 1,59%, conforme Tabela 1). A indústria de base agrícola cresceu 0,96% no mês, enquanto a de base pecuária teve queda de 0,12%. No acumulado de janeiro e fevereiro, os resultados foram de alta de 2,10% para o ramo agrícola e baixa de 0,28% no pecuário. (Tabelas 2 e 3).

A perspectiva de elevação de 13.28% no faturamento da indústria agrícola, entre o 1º bimestre de 2017 e o mesmo período de 2018, reflete a alta de 10,13% na produção estimada (para a média das indústrias acompanhadas), e a estabilidade média de preços. No caso da indústria de base animal, a perspectiva de recuo de 1,69% no faturamento decorre de preços 4,17% menores, apesar da alta de 6,21% na produção.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola que se destacaram com perspectivas de crescimento do faturamento foram: produtos e móveis de madeira, celulose e papel, biocombustíveis, têxtil e vestuário, café, conservas de frutas e outros, fumo, óleos vegetais e bebidas (Figura 4).

Figura 4. Agroindústrias de base agrícola: variação anual estimada do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

A indústria de biocombustíveis (etanol) apresentou alta de 1,43% em volume e 4,37% nos preços no 1º bimestre de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Segundo pesquisadores da equipe Etanol/Cepea, o mês de fevereiro foi marcado pela menor demanda por etanol por parte dos compradores. A oferta restrita do produto por parte das usinas, por conta do período de entressafra no mês de fevereiro manteve os preços firmes, apesar da necessidade de alguns produtores de comercializar seus estoques para abrir espaço nos tanques no período para a produção da próxima safra.

Na indústria açucareira, os preços recuaram 29,69% no bimestre, com relação ao mesmo período de 2017, enquanto a produção tem estimativa de queda de 6,31%. Segundo a equipe Açúcar/Cepea, a demanda não esteve muito aquecida no correr de fevereiro, e os compradores se mostraram abastecidos com entregas de produto contratadas anteriormente. Desta forma, as usinas não tiveram outra opção a não ser baixar ainda mais os valores de suas ofertas, no intuito de liquidar estoques. A equipe destaca ainda que, após duas temporadas consecutivas com déficit no balanço entre produção e consumo mundial de açúcar, as projeções para a atual safra global 2017/18 indicam mudança neste cenário, com perspectiva de aumento e forte recuperação da produção de açúcar no continente asiático.

Para a agroindústria de óleos vegetais, estima-se crescimento de 16,20% na quantidade produzida, mas queda de 3,35% nos preços em fevereiro/18. Segundo a Abiove, a projeção de alta na produção de óleos de soja para 2018 deve-se à grande disponibilidade de soja no mercado, o que motiva o processamento. A equipe Grãos/Cepea destaca o grande volume de óleo exportado, que, em fevereiro, foi o dobro de janeiro e 66,3% maior que o de fevereiro/17. O menor processamento de soja na Argentina também tem influenciado esse contexto. A equipe destaca ainda que a antecipação da mistura de 10% de biodiesel (B10) ao diesel mineral, a partir de março/2018, favorecerá o maior esmagamento de soja no mercado doméstico, o que poderá ser verificado com dados para os próximos meses.

Nas indústrias têxtil e de vestuário, a variação positiva no faturamento projetado para 2018 segue impulsionada tanto por preço quanto por quantidade. Segundo informações da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), o setor está otimista com a recuperação do mercado, investindo na produção. Porém, a Associação destaca a tendência de crescimento das importações, o que pode vir a prejudicar a atividade.

Com relação às indústrias pecuárias, os dados são apresentados na Tabela 5, e observa-se baixa apenas para os laticínios.

Na indústria do abate, projeta-se alta de 3,91% no faturamento como resultado da elevação de 8,83% na quantidade produzida e queda de 4,5% nas cotações do bimestre, com relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a equipe Boi/Cepea, as vendas de carne no mercado atacadista ainda não se aqueceram no ano. Já no front externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura seguiram em bom ritmo em fevereiro, o que resultou no melhor desempenho para um primeiro bimestre em quatro anos – o que, inclusive, evitou maiores quedas nas cotações domésticas.

No mercado de suínos, a equipe Suínos/Cepea destaca que o embargo dessa carne brasileira por parte da Rússia em janeiro prejudicou o desempenho do setor. Entretanto, em fevereiro, o país russo retomou, ainda que parcialmente, as importações da carne suína brasileira. A China, outro importante player do mercado de carnes, começou a reduzir gradualmente as importações da carne suína brasileira em meados de julho de 2017. Nesse contexto, houve maior disponibilidade dessa proteína no mercado doméstico, pressionando as cotações da carne.

No caso da carne de aves, segundo a equipe Aves/Cepea, a demanda interna segue enfraquecida. No mercado exportador, também se verifica diminuição dos embarques, o que tem pressionado a remuneração da atividade.

Para a indústria de lácteos, apesar da queda de preços de 4,79% no acumulado do bimestre, a equipe Leite/Cepea destaca que, se por um lado, a demanda por derivados esteve mais consistente em fevereiro; por outro, a captação de leite estava mais condizente com a demanda, por conta do desestímulo ocasionado pelas baixas cotações da matéria-prima nos últimos meses. Ainda que o resultado para preços de lácteos esteja negativo até fevereiro, a menor oferta tem influenciado na elevação dos preços dos derivados, efeito que poderá ser melhor observado nos próximos relatórios.

Tabela 5. Variação anual estimada do volume, preços reais e faturamento das indústrias pecuárias acompanhas

SEGMENTO DE SERVIÇOS:  reflexo do desempenho agroindustrial, serviços do agronegócio crescem

Como observado na Tabela 1, os agrosserviços apresentaram alta de 0,16% em fevereiro, acumulando elevação de 0,31% em 2018. Esse resultado positivo relaciona-se principalmente ao ramo agrícola, no qual o PIB dos agrosserviços elevou-se em 0,81% no período, ao passo que o pecuário teve queda, de 0,72%.

CONCLUSÕES

O Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio Brasileiro iniciou 2018 praticamente estável, com queda de 0,09% em fevereiro, e 0,22% no acumulado do 1º bimestre de 2018 frente ao mesmo período de 2017. Em janeiro também houve uma queda modesta de 0,13%.

Essa leve baixa no bimestre é resultado das estimativas de retração de 3,68% no segmento primário, compensada pela expansão de 1,59% da agroindústria, 0,42% do segmento de insumos, e 0,31% dos agrosserviços. Em janeiro e fevereiro de 2018, o desempenho por segmento do agronegócio foi respectivamente: insumos (0,5% e -0,07%), primário (-2,11% e -1,6%), agroindústria (0,86% e 0,73%) e agrosserviços (0,15% e 0,16%).

Enquanto o desempenho do ramo agrícola foi praticamente estável – 0,02% em janeiro, -0,03% em fevereiro e -0,01% no acumulado do bimestre comparativamente ao mesmo período do ano anterior - o ramo pecuário observou retração de 0,48% em janeiro e 0,24% em fevereiro, perfazendo queda de 0,72% no bimestre, também comparativamente ao mesmo período de 2017.

Como detalhado ao longo desse relatório, a referida queda na geração de renda “dentro da porteira” é derivada dos baixos preços agropecuários que veem sendo praticados desde o fim de 2017. O elevado patamar produtivo de 2017, também limita as perspectivas de ampliação da produção que, em 2018, giram em torno de 1%. Ainda assim, segundo a Conab, a safra de grãos a ser colhida no ano deve ser a segunda maior da história.

Já para a indústria de base agrícola, verifica-se continuidade da tendência de recuperação, com estimativas de crescimento para as principais atividades do segmento. Essa recuperação, por sua vez, segue impulsionada pelo aumento da produção agroindustrial, diante de preços estáveis. Para o ramo pecuário, menores preços têm pressionado a renda nos diversos elos das cadeias, resultado, de modo geral, de uma demanda ainda enfraquecida.

Por fim, o PIB-volume do agronegócio, calculado pelo critério de preços constantes, apresenta estimativas de alta para 2018: 2,87% para insumos, 0,12% para o segmento primário, 9,01% para a agroindústria e 6,65% para os agrosserviços. De forma agregada para o agronegócio, e considerando-se preços constantes, as perspectivas para o PIB volume do agronegócio apontam expansão de 5,52% em 2018. (Tabela A3 – Anexo I).

ANEXO I – PROJEÇÕES ANUAIS, TABELAS DE DADOS E METODOLOGIA

A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal e acumulado do período (em %)


Fonte: Cepea/USP e CNA.

A2) PIB do Agronegócio: Participações dos segmentos (em %)


Fonte: Cepea/USP e CNA

A3) PIB Volume do Agronegócio: Taxa anual (em %)*

  • Nota técnica: O PIB Volume do Agronegócio trata-se do PIB do agronegócio calculado pelo critério de preços constantes. Resulta, portanto, a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

A4) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•             PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•             PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

 

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