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17/05/2018

O Fim do Ciclo de Redução da Taxa SELIC

Por Núcleo Econômico da Superintendência Técnica da CNA

A manutenção da taxa básica de juros a 6,5%a.a. na 214ª Reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BACEN), causou surpresa e deixou a impressão que a Autoridade Monetária Brasileira é mais conservadora que os próprios agentes do mercado financeiro.

A principal justificativa do Comitê, que frustrou a expectativa generalizada dos agentes econômicos de uma queda de 0,25p.p na SELIC, foi a “evolução do balanço de riscos” derivada do “cenário externo mais desafiador e volátil” e que, nos últimos dias, têm se traduzido em uma taxa de câmbio mais depreciada.

Apesar da Selic a 6,5%a.a. manter o caráter de estímulo à política monetária – ou seja, corresponder a um nível capaz de estimular a atividade econômica - 53 das 55 instituições financeiras entrevistadas pela pesquisa de Projeções Broadcast, divulgada dia 10/05 projetavam para a 214ª Reunião uma queda adicional de 0,25p.p. Apenas duas instituições acreditavam que não haveria corte, o que de fato ocorreu.

A decisão de hoje reforça os sinais de que a queda de 0,25p.p. na SELIC na reunião anterior – 213ª Reunião do COPOM em 21 de março/2018 - deve marcar, de fato, o fim de um longo ciclo de redução da Taxa SELIC iniciado em 19 de outubro de 2016 e composto por 12 reduções consecutivas. Nesse período, como revela o gráfico 1, a taxa básica de juros da economia brasileira caiu a menos da metade. Era de 14,25% a.a. em out/2016 e mantém-se a 6,5% ao ano, maior que o amplamente esperado mas ainda assim, no menor patamar de toda a série histórica iniciada em março de 1999.

Gráfico 1- Evolução da Taxa SELIC no Brasil: 2009 a 2018

No final de 2017 a percepção geral do mercado financeiro era de que o ciclo de queda da SELIC chegaria ao fim em fevereiro de 2018. Tais expectativas, porém, foram sendo revistas à medida que, já em 2018, as dinâmicas da inflação e da atividade econômica foram revelando-se muito próximas às verificadas em 2017. Se no comportamento de preços (inflação) essa trajetória de continuidade tem sido uma surpresa positiva, a demora na retomada da atividade econômica certamente é o aspecto mais preocupante nesse início de 2018.

Essa percepção foi reforçada no segundo dia da 214ª Reunião do COPOM com a divulgação de dados adversos sobre o desempenho da atividade econômica no 1º trimestre de 2018. Conhecido como “PIB do Banco Central”, o IBC-Br registrou queda de 0,74% em março levando o resultado do 1º trimestre/2018 também para o terreno negativo: -0,13% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Frente ao mesmo período de 2017, a expansão entre janeiro e março de 2018 foi 0,86% maior.

Já o IPCA mantém-se bastante comportado com inflação acumulada em 2,76% entre maio/2017 e abril/2018, ligeiramente acima dos 2,68% acumulados nos 12 meses encerrados em abril março/2018, mas ainda abaixo inclusive do piso de 3% da meta de inflação (4,5%) estabelecida para o corrente ano.

Não fosse o recente choque na cotação cambial (R$/US$) – que tem testado o patamar de R$3,70 frente à taxa média de R$3,19 em 2017 – as referidas dinâmicas da inflação e da atividade econômica respaldariam o prolongamento do ciclo de redução da Taxa SELIC. A depreciação cambial, somada aos choques externos e às incertezas eleitorais no Brasil direcionaram a Autoridade Monetária na direção oposta resultando na manutenção da SELIC e no provável fim do seu ciclo de queda.

Mais importante que discutir o conservadorismo do BACEN é ter clareza das razões que tem impedido o setor produtivo, e os próprios consumidores, a acessarem juros menores no Brasil apesar do longo ciclo de queda dos juros de referência na economia brasileira.

Particularmente no que afeta a tomada de decisão no agronegócio, apesar da queda de 3,75p.p. da SELIC entre junho/2017 e maio/2018, a proposta da equipe econômica do Governo é de que os juros no Plano Safra a ser lançado em junho desse ano caiam apenas 1p.p. Além disso, nas linhas de financiamento com taxas flutuantes – ou seja, aquelas atreladas à Taxa de Longo Prazo (TLP) – têm sido ainda mais modestas.

 Bruno Barcelos Lucchi - Superintendência Técnica

 Núcleo Econômico
 Renato Conchon – Coordenador
 Carolina Yuri Nakamura – Assessora Técnica
 Diego Humberto de Oliveira – Assessor Técnico
 Fernanda Schwantes - Assessora Técnica
 Paulo André Camuri – Assessor Técnico

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